18/01/2026 14:04:00 - Atualizado em 18/01/2026 14:05:00

Trump vincula tarifas comerciais à compra da Groenlândia e gera crise na União Europeia

Redação RedeTV!

Presidente dos EUA ameaça sobretaxar aliados europeus que se opõem à anexação do território dinamarquês

(Foto: Wikimedia Commons)

A União Europeia enfrenta uma crise diplomática sem precedentes após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar tarifar países europeus que se opõem à anexação da Groenlândia. O bloco discutiu neste domingo (18) a ativação do "Instrumento Anticoerção" para responder às pressões de Washington. Essa movimentação ocorre após a UE assinar o acordo de livre comércio com o Mercosul.

A ofensiva tarifária de Trump mira nações como Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia, Noruega e Grã-Bretanha. O líder norte-americano condiciona o fim das taxas à autorização para a compra do território ártico, intensificando a disputa sobre a ilha dinamarquesa.

Parlamentares europeus reagiram com vigor às novas medidas, classificando o uso do comércio como ferramenta de coerção política. Bernd Lange, membro do Parlamento Europeu, defendeu a suspensão imediata de acordos comerciais vigentes entre as potências.

“As novas tarifas americanas para vários países são inacreditáveis. Não é assim que se tratam os parceiros. Uma nova linha foi cruzada. Inaceitável”, afirmou Lange em posicionamento oficial.

O parlamentar solicitou a paralisação da implementação do acordo de Turnberry. Segundo ele, o bloco não pode manter a normalidade comercial enquanto os Estados Unidos mantiverem as ameaças tarifárias contra aliados estratégicos.

A Comissão Europeia sofre pressão para ativar o Instrumento Anticoerção (ACI), mecanismo desenhado para proteger o bloco de pressões econômicas externas. A medida pode limitar o acesso dos Estados Unidos a licitações públicas na Europa ou restringir o comércio de serviços.

Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu, indicou que a votação para remoção de tarifas de importação da União Europeia foi prejudicada. O pleito, previsto para segunda-feira (26) e terça-feira (27), não deve ocorrer conforme o planejado.

Em contrapartida, Roberta Metsola reforçou o apoio à Dinamarca e ao povo da Groenlândia. A parlamentar alertou que as medidas contra aliados da OTAN podem comprometer a segurança no Ártico e encorajar adversários comuns da região.

Divisões diplomáticas e cautela

Apesar do tom combativo de parte do parlamento, alguns diplomatas europeus pregam cautela para evitar uma escalada no conflito. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, descreveu a ameaça de tarifas como "um erro", mas busca uma via de diálogo.

Meloni afirmou ter conversado com Trump horas antes de uma viagem à Coreia para expressar sua discordância. A Itália é um dos países que não enviou militares para a Groenlândia, diferentemente de outros vizinhos europeus já sobretaxados.

No Reino Unido, a Secretária de Cultura, Lisa Nandy, adotou uma postura pragmática para resolver o impasse. "Nossa posição sobre a Groenlândia é inegociável... É do nosso interesse coletivo trabalhar juntos e não iniciar uma guerra de palavras", declarou neste domingo (18).

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