Fundação SOS Mata Atlântica detecta 25 agrotóxicos no rio Tietê e alerta para riscos à saúde
Redação RedeTV!Herbicida associado ao câncer pela OMS ultrapassou o limite legal em trechos paulistas

(Foto: SOS Mata Atlântica)
A Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com universidades e o Instituto Itaúsa, encontrou 25 tipos de agrotóxicos em amostras de água coletadas em 14 pontos do rio Tietê. O monitoramento ocorreu durante uma expedição realizada no estado de São Paulo.
A organização não governamental identificou herbicidas, fungicidas e inseticidas aplicados em lavouras de cana-de-açúcar, soja e citros na bacia hidrográfica. A poluição ocorre porque parte dos defensivos químicos infiltra-se no solo ou é carregada pela chuva até as fontes de água.
O Laboratório de Ecotoxicologia do CENA/USP conduziu o estudo e detectou a presença de atrazina, produto proibido na União Europeia desde 2004 e classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como potencialmente cancerígeno em 2024. A concentração deste herbicida superou o limite nacional estabelecido pela Resolução Conama nº 357/2005.
Os poluentes tebutiurom e clomazona apareceram em todos os pontos monitorados, com picos entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita devido à intensa atividade agrícola local. Substâncias químicas contaminaram inclusive a nascente do rio, localizada no município de Salesópolis.
Abaixo, a lista detalha a frequência com que cada elemento químico foi identificado nas amostras do rio Tietê:
Tebutiurom: 100%
Clomazona: 100%
Diurom: 92,86%
Ciproconazol: 85,71%
Hexazinona: 85,71%
Atrazina: 85,71%
Terbutilazina: 85,71%
Acetamiprido: 85,71%
Azoxistrobina: 78,57%
Ametrina: 78,57%
Metalaxil-M: 71,43%
Tebuconazol: 71,43%
Metribuzim: 71,43%
Prometrina: 64,29%
Fipronil: 64,29%
Imidacloprido: 57,14%
Malationa: 50%
Bentazona: 42,86%
Tiametoxam: 42,86%
Bromacil: 28,57%
Propamocarbe: 21,43%
Trifloxistrobina: 14,29%
Fludioxonil: 14,29%
Indaziflam: 7,14%
Mesotriona: 7,14%
Especialistas alertam que a mistura dos agrotóxicos potencializa os danos, causando alterações biológicas, comportamentais e desequilíbrios na cadeia alimentar de peixes e outros organismos aquáticos.
"Embora processos naturais de diluição e autodepuração ocorram ao longo do rio, especialmente nos trechos Médio e Baixo Tietê, a água dessas regiões é utilizada para abastecimento público, o que suscita preocupações adicionais", diz o relatório.
"Isso porque os sistemas convencionais de tratamento nem sempre são plenamente eficazes na remoção de diversos contaminantes orgânicos, incluindo diferentes classes de agrotóxicos", acrescenta.
A viagem ambiental percorreu 1.100 quilômetros entre segunda-feira (09) e sábado (14) de junho de 2025, cobrindo o trajeto desde a nascente até a foz no rio Paraná, em Itapura. Além dos agrotóxicos, os testes laboratoriais constataram microplásticos em todas as amostras e 16 substâncias remanescentes de medicamentos e drogas ilícitas, incluindo cocaína.
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